ONG implanta cartilha de sustentabilidade em curso de formação para jovens aprendizes
A estudante Ingrid Marques da Silva, 18 anos, ouviu falar em sustentabilidade quando procurava o primeiro emprego. Aconselhada por uma amiga, ela buscou ajuda no Núcleo de Aprendizagem Profissional (NURAP), entidade sem fins lucrativos que forma jovens da periferia da Zona Sul de São Paulo para o mercado de trabalho.
O curso de formação profissional tem duração de dois anos. Para participar, o candidato dever ter entre 14 e 24 anos, estudar em escola pública e ser de família com baixa renda.
Como um diferencial para a carreira desses jovens e para as empresas parceiras, a organização optou por incluir na grade a disciplina de sustentabilidade. “Queremos formar cidadãos desde já conscientes e que no futuro possam contribuir mais para o meio ambiente”, explica Tiemi Yamashita, Supervisora de Treinamento do NURAP.
O projeto existe há dois anos e atualmente, atende a 600 jovens e possui 120 empresas cadastradas. As aulas são gratuitas e os aprendizes recebem uma cartilha que aborda temas atuais sobre os problemas socioambientais do planeta.
Boas maneiras
Bastaram apenas três meses de curso para Ingrid conseguir um emprego. Entusiasmada, ela foi trabalhar como recepcionista em um condomínio comercial no bairro Morumbi.
Na prática, a estudante teve a chance de usar os conhecimentos adquiridos em sala de aula. “Eu avisava o setor de manutenção quando a água da torneira ou descarga estava vazando e orientava meus colegas a reciclar papéis e economizar energia”, comenta.
Moradora da região de Santo Amaro, Ingrid incentivou a mãe, que possui uma lanchonete no bairro, a comprar lixeiras de cores diferentes para separar o lixo, reciclar latas, trocar as lâmpadas por outras mais econômicas e fazer cestas decorativas usando material reciclável.
De acordo com Tiemi, a consciência dos aprendizes começa nas pequenas atitudes dentro de casa e que o reflexo do programa será mais evidente nos próximos anos, quando os jovens estiverem consolidados na carreira, alguns ocupando cargos de decisão em uma empresa.
Ingrid pretende continuar os estudos e entrar para a faculdade. Ela está no segundo emprego. Agora é assistente administrativo. É otimista quanto ao futuro e acredita que é possível viver num mundo melhor. “Para mim, enquanto há vida, há esperança. Mas muita gente ainda não tem conhecimento e é preciso orientar o próximo sobre a preservação”, opina.

