segunda-feira, 5 de abril de 2010

INCLUSÃO SOCIAL EM PROL DO VERDE


ONG implanta cartilha de sustentabilidade em curso de formação para jovens aprendizes 
A estudante Ingrid Marques da Silva, 18 anos, ouviu falar em sustentabilidade quando procurava o primeiro emprego. Aconselhada por uma amiga, ela buscou ajuda no Núcleo de Aprendizagem Profissional (NURAP), entidade sem fins lucrativos que forma jovens da periferia da Zona Sul de São Paulo para o mercado de trabalho.
O curso de formação profissional tem duração de dois anos. Para participar, o candidato dever ter entre 14 e 24 anos, estudar em escola pública e ser de família com baixa renda.
Como um diferencial para a carreira desses jovens e para as empresas parceiras, a organização optou por incluir na grade a disciplina de sustentabilidade. “Queremos formar cidadãos desde já conscientes e que no futuro possam contribuir mais para o meio ambiente”, explica Tiemi Yamashita, Supervisora de Treinamento do NURAP.
O projeto existe há dois anos e atualmente, atende a 600 jovens e possui 120 empresas cadastradas. As aulas são gratuitas e os aprendizes recebem uma cartilha que aborda temas atuais sobre os problemas socioambientais do planeta.
Boas maneiras
Bastaram apenas três meses de curso para Ingrid conseguir um emprego. Entusiasmada, ela foi trabalhar como recepcionista em um condomínio comercial no bairro Morumbi. 
Na prática, a estudante teve a chance de usar os conhecimentos adquiridos em sala de aula. “Eu avisava o setor de manutenção quando a água da torneira ou descarga estava vazando e orientava meus colegas a reciclar papéis e economizar energia”, comenta.
 Moradora da região de Santo Amaro, Ingrid incentivou a mãe, que possui uma lanchonete no bairro, a comprar lixeiras de cores diferentes para separar o lixo, reciclar latas, trocar as lâmpadas por outras mais econômicas e fazer cestas decorativas usando material reciclável.
De acordo com Tiemi, a consciência dos aprendizes começa nas pequenas atitudes dentro de casa e que o reflexo do programa será mais evidente nos próximos anos, quando os jovens estiverem consolidados na carreira, alguns ocupando cargos de decisão em uma empresa.

Ingrid pretende continuar os estudos e entrar para a faculdade. Ela está no segundo emprego. Agora é assistente administrativo. É otimista quanto ao futuro e acredita que é possível viver num mundo melhor. “Para mim, enquanto há vida, há esperança. Mas muita gente ainda não tem conhecimento e é preciso orientar o próximo sobre a preservação”, opina.

SUSTENTABILIDADE ALÉM DA AMAZÔNIA


Projetos em prol do meio ambiente atraem empresas e ONGs. Em São Paulo, escola ensina reflorestamento para compensar a emissão de CO2 pelos alunos
O conceito de sustentabilidade ganha destaque num momento em que se discute o futuro da humanidade e dos demais seres vivos. Acúmulo de lixo, desmatamento, falta de água potável, poluição e as recentes catástrofes ocasionadas pelo aquecimento global são algumas das causas do atual desequilíbrio ecológico.
A discussão envolve sociedade e líderes políticos do mundo todo. Em março, o Brasil sediou o I Fórum Internacional de Sustentabilidade, que aconteceu em Manaus, capital do Amazonas. O encontro teve a presença do ex-vice-presidente norte-americano e prêmio Nobel da Paz, Al Gore, e do diretor de cinema James Cameron, criador do sucesso de bilheterias Avatar.
Ambientalistas, cientistas, empresários, artistas e políticos também participaram do evento. Os convidados debateram ações que possibilitem a preservação e o desenvolvimento econômico da Amazônia. Na ocasião, o governador Eduardo Braga ressaltou as atividades desempenhadas pelo Polo Industrial de Manaus, segundo ele, o maior projeto ambiental da região.  
No Brasil, muitas empresas já aderiram às iniciativas sustentáveis refletidas em produtos ou serviços que atendam às necessidades econômicas sem comprometer o meio ambiente. Em alguns casos, uma porcentagem da venda dos produtos é revertida em ações que promovam o desenvolvimento sustentável ou beneficiem comunidades locais.
Organizações não governamentais também estão na campanha em prol do planeta. As entidades envolvidas nessa temática já se comprometeram em propagar as ideias favoráveis à relação harmônica entre homem e natureza por caminhos diversos promovendo educação, comunicação, reciclagem, inclusão social, conscientização, entre outros.
O crescimento das atividades sustentáveis possibilitou o surgimento de novas empresas que fazem consultoria e guiam projetos na área. A Brasil Flora é um desses exemplos. Em parceria com o Colégio São Luís, realiza o projeto Compensar, que consiste na compensação da emissão de dióxido de carbono (CO2) produzida pelos alunos para se deslocar até a escola.
A iniciativa se dá através do plantio de árvores de espécie nativas na região de Cotia (SP), que fica sob responsabilidade da instituição de ensino. Cada árvore ganhou o nome de um aluno. Como ato simbólico, os estudantes receberam uma caneca com a ilustração de uma árvore nativa da Mata Atlântica, acompanhada de seu nome popular e cientifico.  
De acordo com Eduardo Deangelo, geógrafo e coordenador do projeto, a compensação do gás gerado no início da plantação deve ocorrer em aproximadamente quinze anos. 
“Cada aluno anda em média entre 10 e 20 quilômetros por dia em seu deslocamento até a escola e em seus outros cursos. Cerca de 200g de CO2 é emitido por quilômetro rodado. Com cada árvore plantada teremos o corresponde à compensação da emissão de meia tonelada do gás”, esclarece o geógrafo.